RÁDIO GODO FM

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Brasil registra oito casos de hantavírus em 2026 em meio a alerta global

Ministério da Saúde e autoridades estaduais confirmam registros no Sul e Sudeste enquanto OMS monitora surto em cruzeiro




O Brasil contabiliza oito casos de hantavírus nos primeiros meses de 2026 segundo levantamento baseado em dados do Ministério da Saúde e de secretarias estaduais. Enquanto o governo federal confirma sete ocorrências a Secretaria de Saúde do Paraná notificou um registro adicional elevando a estatística nacional. O estado do Paraná concentra dois casos confirmados envolvendo um homem de 34 anos em Pérola d’Oeste e uma mulher de 28 anos em Ponta Grossa além de manter 11 suspeitas sob investigação laboratorial.

A distribuição geográfica dos casos identifica dois registros em Minas Gerais e dois no Rio Grande do Sul além de uma ocorrência em Santa Catarina e um caso com unidade da federação ainda não identificada. O cenário nacional ganha relevância diante de um alerta da Organização Mundial da Saúde sobre mortes associadas ao hantavírus no cruzeiro MV Hondius.

O ministro da Saúde da África do Sul confirmou que um dos passageiros foi contaminado pela cepa Andes que é a única variante com capacidade documentada de transmissão entre seres humanos em contextos de contato prolongado.

O hantavírus é uma patologia respiratória rara transmitida principalmente pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores silvestres. Com período de incubação de até quatro semanas a doença manifesta sintomas iniciais como febre, dores musculares e calafrios podendo evoluir para quadros graves de insuficiência respiratória e hipotensão arterial.

Devido à inexistência de vacina ou tratamento específico as autoridades reforçam que o suporte médico precoce em unidades de terapia intensiva é fundamental para aumentar as chances de recuperação dos pacientes infectados.

Ex-prefeito de Godofredo Viana e mais cinco pessoas são presas por desvio de recursos públicos

O Ministério Público do Maranhão, por meio da Promotoria de Justiça da Comarca de Cândido Mendes, deflagrou, na manhã desta sexta-feira, 8, mais uma etapa da Operação Maat - Fase Persistência, de combate à corrupção, resultando na prisão preventiva de seis pessoas (dois ex-agentes públicos e quatro empresários) e no bloqueio de bens no valor de R$ R$ 1.960.054,05. A ação contou com apoio técnico do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), da Polícia Civil e da Secretaria de Estado de Segurança Pública.

Coordenada pelo promotor de justiça Márcio Antônio Alves de Oliveira, da Comarca de Cândido Mendes, a operação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em São Luís (nos bairros do Calhau, Ponta d’Areia e Araçagy) e no município de Cantanhede.

Foram presos Marcelo Jorge Torres (ex-prefeito do município de Godofredo Viana, termo judiciário da comarca de Cândido Mendes), Gihan Ayoub Jorge Torres (irmã do ex-prefeito e ex-secretária municipal de Administração e Finanças de Godofredo Viana), Ronnel Quaresma dos Santos (sócio proprietário da empresa R. Quaresma dos Santos), Tiago Val Quintan Pinto Frazão (sócio proprietário da empresa Frazão Construções LTDA), Alonso de Souza Batista (sócio proprietário da empresa A de S Batista Empreendimentos e Serviços Eireli), Paulo Ricardo Nogueira Ayres Val Quintan (sócio proprietário da empresa PM Construções e Serviços Eireli).

Dos mandados de prisão expedidos somente o de Sonia de Jesus Cruz (sócia proprietária da empresa LTZ Comércio Eireli-ME) não foi cumprido. Ela continua foragida.

Na operação, também foram apreendidos quatro veículos de luxo, computadores, celulares e dinheiro em espécie (cuja soma resultou no valor de R$ 291.200,00). O dinheiro estava dentro de um dos automóveis. Igualmente foram apreendidos 49 comprovantes de transações bancárias (TEDs, depósitos, saques, entre outros) que totalizaram R$ 3.378.147,49, também encontrados no interior de um dos carros.



Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos, na Comarca de Cândido Mendes, a pedido do Ministério Público do Maranhão, inicialmente pelo juiz Rodrigo Terças e, depois, pela juíza Luana Cardoso, que ratificou e ampliou os mandados originais.

“As empresas não prestavam os serviços. O dinheiro era desviado. Uma das empresas, inclusive, operava numa sede muito humilde e havia recebido uma quantia grande, de aproximadamente R$ 250 mil”, afirmou o promotor de justiça.

DENÚNCIA

Todos os envolvidos foram denunciados pelo MPMA, em documento de 2024 assinado pelo promotor de justiça Márcio Antônio de Oliveira, por desvios de recursos públicos do Município de Godofredo Viana, destinados à execução de obras e compra de material de expediente, referente ao ano de 2016. A denúncia apontou crimes de peculato-desvio, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

À época, valores foram transferidos para contas de empresas de fachada, bem como de familiares e do próprio ex-prefeito. As investigações apontaram, inclusive, transferências diretas das contas da Prefeitura de Godofredo Viana para contas particulares.

A Operação Maat (deusa egípcia da justiça) teve a sua primeira fase realizada em dezembro de 2023. A operação teve origem em três investigações distintas sobre corrupção e desvios de recursos públicos formuladas ao longo de aproximadamente três anos.

RECORRÊNCIA

Esta é a segunda vez que Marcelo Jorge Torres e sua irmã Gihan Torres são presos por corrupção e desvios de recursos públicos da Prefeitura de Godofredo Viana. A primeira vez foi em uma das etapas da Operação Maat – fase Prato Cheio, realizada em setembro de 2025, que apurou desvios de recursos destinados à merenda escolar.

COLETIVA

Os detalhes da operação foram explicados em entrevista coletiva concedida à profissionais da imprensa, na Procuradoria-Geral de Justiça, com a participação do chefe do MPMA, Danilo de Castro, e do promotor de justiça Márcio Antônio de Oliveira. Também participaram os delegados da Polícia Civil Carlos Alessandro (chefe da Senarc), Bruna Gomes (Seic) e Valdenor Viégas (Senarc).

Empresária que agrediu doméstica grávida é investigada por cinco crimes no MA



A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, presa nessa quinta-feira (7), é investigada pela Polícia Civil do Maranhão por suspeita de agredir uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses, em Paço do Lumiar, na Grande São Luís.

Segundo a Polícia Civil, ela é investigada pelos crimes de tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria. A classificação de tentativa de homicídio triplamente qualificado é usada quando há indícios de intenção de matar e agravantes previstos em lei, como motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Augusto Barros, o caso segue em apuração. Apesar de já haver materiais anexados ao inquérito, como áudios atribuídos à suspeita, outros elementos ainda serão analisados.

“A investigação está em curso. Apesar de termos muitos dados apresentados à sociedade, ainda há outros que dependem de confirmação e devem ser analisados nos próximos dias”, afirmou o delegado.

Carolina Sthela foi presa em Teresina, no Piauí, e transferida para São Luís ainda na quinta-feira. Ao chegar à capital maranhense, ela prestou depoimento por mais de uma hora na sede da 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, responsável pela investigação.

Em depoimento, a empresária não confirmou que os áudios divulgados com supostas confissões das agressões sejam de sua autoria. Segundo a polícia, ela pediu que o material seja periciado.

Carolina também afirmou que o anel que teria motivado a acusação contra a doméstica estava avaliado em R$ 5 mil. Ela disse ainda que está grávida de três meses e que enfrenta problemas de saúde, como pressão alta e infecção urinária. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou a gestação.

Após ser ouvida, a empresária deve passar por exame de corpo de delito. Segundo a polícia, ela será encaminhada para a Central de Custódia, em São Luís, onde permanecerá presa até a audiência de custódia, prevista para esta sexta-feira (8).

MP aciona envolvidos em esquema de “servidores fantasmas” em Jatobá

O Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio da Promotoria de Justiça de Colinas, requereu, em Ações Civis Públicas por ato de improbidade administrativa, em 30 de abril, a indisponibilidade de bens de oito envolvidos em um esquema de “servidores fantasmas” na Prefeitura de Jatobá (termo judiciário).

Servidores fantasmas são pessoas que recebem salários sem prestar serviços na administração pública. No período de 2021 a 2024, as ilegalidades causaram prejuízos de R$ 719,7 mil aos cofres municipais.

Assina as Ações o promotor de justiça Carlos Allan da Costa Siqueira.

A lista dos requeridos inclui Aílton Pereira de Sousa (nomeado para o cargo de agente comunitário de saúde, causando danos de R$ R$ 133,6 mil ao erário municipal), Narcizio Viana (auxiliar de serviços gerais / danos de R$ 127,4 mil), Adão de Jesus Sousa (assessor / danos de R$ 103,5 mil), Braz Alves de Morais (diretor / danos de R$ 102,5 mil), Ronaldo Félix da Silva (vigia / danos de R$ 96,2 mil), Richardson da Silva Sousa (fiscal / danos de R$ 87,7 mil), Vinícius Pereira da Fonseca (agente administrativo / danos de R$ 64,3 mil) e Larissa Helen da Silva Sá (coordenadora de projetos / danos de R$ 4,4 mil).

Vistorias realizadas pelo MPMA em julho de 2024 nas secretarias municipais revelaram diversas irregularidades, entre ausência de estrutura física, falta de controle de jornadas de trabalho e inexistência de documentos oficiais.

Foi verificado que, em secretarias como a de Administração, Fazenda e Planejamento e de Desenvolvimento Econômico, não havia sala destinada aos setores ou postos de trabalho para os referidos servidores fantasmas. Os envolvidos não registravam frequência em livros de ponto ou qualquer sistema eletrônico de controle.

A administração municipal e os envolvidos também não apresentaram documentos como ofícios, relatórios, atas ou formulários que comprovassem atividades desempenhadas nos últimos quatro anos.

Além disto, servidores de setores vizinhos desconheciam os envolvidos ou as funções exercidas na administração municipal.

Além da indisponibilidade de bens, o MPMA pede que cada envolvido seja condenado ao pagamento de indenização no valor de R$ 30 mil, em caráter de dano moral coletivo.

Solicita, ainda, a condenação dos envolvidos à suspensão de direitos políticos, perda da função pública e a proibição de contratar com o Poder Público.

Outro pedido é a devolução integral do valor recebido pelos servidores fantasmas aos cofres municipais.

domingo, 12 de abril de 2026

Justiça Eleitoral realiza plantão para regularização do título até 6 de maio


A Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão informa que eleitoras e eleitores têm até o dia 6 de maio para regularizar a situação do título eleitoral visando as Eleições 2026. Após essa data, o cadastro eleitoral será fechado para novas solicitações relacionadas ao pleito, que está marcado para 4 de outubro, em primeiro turno.
O fechamento do cadastro ocorre conforme determina a Lei nº 9.504/1997, que estabelece o prazo de 150 dias antes da votação.

Regularização do título entra em plantão final até 6 de maio; cadastro será fechado para eleições de 2026. Foto: Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão

Serviços disponíveis para regularização

Durante o período, é possível realizar diversos serviços junto à Justiça Eleitoral, como:emissão do primeiro título (alistamento eleitoral);

transferência de domicílio eleitoral;
atualização de dados cadastrais;
coleta de dados biométricos;
inclusão de nome social;
solicitação de mudança para local de votação acessível.

O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão também disponibiliza plantões de atendimento em horários ampliados para atender a demanda.

Horários de atendimento especial

O plantão segue o seguinte cronograma:de 27 de abril a 2 de maio: das 8h às 18h;
3 de maio (domingo): das 8h às 12h;
de 4 a 6 de maio: das 8h às 19h.

Quem deve tirar o título

O alistamento eleitoral é obrigatório para cidadãos brasileiros a partir dos 18 anos. O voto é facultativo para:jovens de 16 e 17 anos;
pessoas com mais de 70 anos;
pessoas analfabetas.

Estrangeiros e pessoas em cumprimento de serviço militar obrigatório não podem se alistar.

Documentos necessários

Para solicitar ou regularizar o título, é necessário apresentar:documento oficial com foto;
comprovante de residência recente;
comprovante de quitação do serviço militar (para homens que completam 19 anos no ano do alistamento).

Como solicitar o título de eleitor?

O pedido pode ser feito de forma online, por meio do autoatendimento no portal do Tribunal Superior Eleitoral, ou presencialmente nos cartórios eleitorais.

No entanto, a coleta biométrica exige comparecimento presencial, mesmo para quem inicia o processo pela internet.

Alistamento pode ser feito a partir dos 15 anos

A legislação permite que o alistamento eleitoral seja realizado a partir dos 15 anos. Nesses casos, o jovem poderá votar nas eleições de 2026 se completar 16 anos até a data do pleito.

Coleta de dados biométricos no sistema da Justiça Eleitoral. Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo Agência Brasil

Suspeito de planejar roubo em casa de advogada é preso em Pinheiro; vítimas foram mantidas reféns

O crime aconteceu em 1º de março deste ano. O executor do crime foi preso em flagrante ainda na casa da vítima, o que permitiu à polícia identificar e chegar ao suspeito de participação no planejamento do roubo.


Suspeito de planejar roubo em casa de advogada é preso em Pinheiro; vítimas foram mantidas reféns — Foto: Divulgação/Polícia Civil do Maranhão.

Um homem foi preso na última sexta-feira (10), em Pinheiro, na baixada maranhense, suspeito de participar do planejamento de um roubo à casa de uma advogada. A prisão preventiva foi cumprida pela Polícia Civil do Maranhão, que não divulgou o nome do investigado e ocultou o rosto dele na foto.

O crime aconteceu em março deste ano. Na ocasião, o foragido da Justiça Markus Vinícios Soares do Nascimento invadiu a residência durante a madrugada e manteve a advogada, o filho dela e uma babá reféns por mais cerca de 6 horas, sob ameaça com arma de fogo.

Durante a ação, Markus Vinícios ainda atirou contra policiais militares que foram ao local após serem acionados. Ele acabou sendo preso em flagrante pela Polícia Militar.

A partir dessa prisão, a Polícia Civil iniciou uma investigação para identificar outros possíveis envolvidos. Segundo a apuração, apesar de o crime ter sido executado por um único homem, houve planejamento prévio e participação de outras pessoas.

De acordo com a polícia, o suspeito preso na sexta-feira teve atuação direta na organização do roubo, dando suporte à execução do crime.

Além do mandado de prisão, os policiais também cumpriram uma ordem de busca e apreensão em um imóvel ligado ao executor, com o objetivo de coletar provas.

O investigado foi levado ao sistema prisional e permanece à disposição da Justiça.

Por g1 MA 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Justiça condena cidades do Maranhão por dano ambiental

 

A Justiça Federal condenou os municípios de Monção e Cajari por danos ambientais causados pela exploração mineral irregular em área de assentamento no Maranhão.

A decisão atende a ação do Ministério Público Federal, com base em laudo da Polícia Federal que apontou retirada ilegal de argila e piçarra, resultando na supressão total da vegetação e na perda da camada fértil do solo.

As investigações também identificaram que a atividade ocorreu sem autorização da Agência Nacional de Mineração, além de ter sido realizada fora das áreas permitidas, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

De acordo com a Justiça, os municípios participaram ou se beneficiaram da atividade irregular, o que motivou a responsabilização pelos danos ambientais.

A sentença determina que as prefeituras apresentem, em até 90 dias, um Plano de Recuperação de Área Degradada, com início das ações em até 30 dias após aprovação.

Além disso, os municípios foram condenados ao pagamento de indenização mínima de R$ 180,6 mil, valor que será destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.

A exploração ocorreu dentro de um assentamento, onde o desmatamento é proibido, com uso de material retirado para recuperação de estradas vicinais, com apoio das prefeituras.

Camarão acusa uso político do MP; Governo do MA diz que repudia qualquer tentativa de politização do caso


O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), afirmou ser alvo de uma “campanha jurídico-midiática” e acusou o governador Carlos Brandão (sem partido) de usar a estrutura do Estado e o comando do Ministério Público para persegui-lo politicamente. A declaração ocorre após o procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, pedir seu afastamento do cargo sob suspeita de envolvimento em um esquema de movimentações financeiras atípicas. Em nota, Camarão diz que há “monitoramento ilegal” de sua vida pessoal e de sua família, além de acusações que classifica como “infundadas” e baseadas em “ilações”. Segundo ele, o procedimento teria sido impulsionado por interesses eleitorais de Brandão, com quem rompeu politicamente no fim de 2025.

“O governador manipula as instituições do Estado do Maranhão para atingir seus adversários”, afirmou o vice, acrescentando que o pedido de afastamento tem “timing perfeito” para favorecer uma eventual candidatura de Brandão ao Senado, ao lado do sobrinho, Orleans Brandão (MDB).

Procurado, o governo do Maranhão afirmou que a “medida é conduzida exclusivamente pelo Ministério Público do Estado do Maranhão, órgão dotado de independência funcional e autonomia em relação ao Poder Executivo Estadual”, e afirmou que “com preocupação”, o governo tomou conhecimento do pedido de afastamento de Camarão através da mídia.

“As ações e os pedidos de afastamento conduzidos pelo Ministério Público do Estado do Maranhão (MP-MA) ocorrem no estrito âmbito das atribuições constitucionais daquele órgão, que goza de plena independência funcional e autonomia em relação ao Poder Executivo Estadual. Conforme é de conhecimento público, as investigações em curso baseiam-se em documentos obtidos por órgãos independentes ao Poder Executivo. O governador do estado não possui qualquer ingerência, domínio ou participação nas investigações conduzidas pelo Ministério Público ou pelos referidos órgãos de controle. Sendo assim, o Governo do Estado repudia de forma veemente qualquer tentativa de politização do caso ou ilações infundadas”, comunicou o governo do estado, em nota.

A manifestação de Camarão é uma resposta direta à ofensiva do Ministério Público estadual. Como mostrou reportagem do GLOBO, o procurador-geral apontou indícios de que o vice-governador teria se beneficiado de uma suposta “rede de laranjas” para movimentar ao menos R$ 6,3 milhões, além da aquisição de imóveis de alto padrão em São Luís. O pedido de afastamento foi encaminhado ao Tribunal de Justiça do Maranhão.

Camarão nega irregularidades e afirma que os valores mencionados são legais e devidamente declarados, inclusive no Imposto de Renda. Ele também questiona a origem das informações e sustenta que o processo se baseia em “prova ilegal”, sem aprofundamento investigativo.

O vice-governador afirma ainda que não foi formalmente notificado ou ouvido no âmbito do procedimento. “Em nenhum momento fui citado, intimado ou tive direito a me manifestar”, disse, acrescentando que confia na reversão do caso no Judiciário.

Outro ponto levantado por Camarão é o vazamento de informações sigilosas da investigação. Segundo ele, houve divulgação ilegal do conteúdo do processo, o que motivou medidas judiciais. O vice informou que acionou o Tribunal de Justiça do Maranhão para apurar responsabilidades pelo vazamento e que pretende levar o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A crise se insere em um cenário de disputa política no estado. De um lado, o grupo ligado a Carlos Brandão; de outro, aliados do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, de quem Camarão é próximo. As duas alas disputam o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a eleição estadual de 2026.

O racha se intensificou após Brandão lançar a pré-candidatura do sobrinho ao governo, movimento visto por aliados de Camarão como quebra de acordos políticos firmados anteriormente. O vice, que também é pré-candidato ao Palácio dos Leões, tem elevado o tom das críticas e fala em uso da máquina pública para interferir no processo eleitoral.

Procurado, o Ministério Público estadual não respondeu até a publicação desta reportagem.

Disputa política

O pedido de afastamento vem em meio aos atritos políticos entre a ala vinculada ao governador e ao ministro do STF Flávio Dino, ex-chefe do Executivo maranhense. Ligado ao magistrado, Camarão atuou no secretariado nos dois mandatos em que Dino comandou o governo.

Os dois grupos disputam o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida ao Executivo estadual. Este mês, Carlos Brandão se antecipou à definição da chancela petista e lançou a pré-candidatura ao governo do sobrinho Orleans Brandão (MDB), de quem deseja alavancar a imagem como seu sucessor. Foi um novo ponto de tensão com aliados de Dino, cujos apoiadores buscam consolidar a candidatura de Felipe Camarão.

Pelas redes sociais, este mês, Camarão publicou imagens de Brandão num ato político do passado para rebater as alegações do governador de que nunca houve acordo pela sua candidatura. O vice afirmou que o chefe do Executivo maranhense desrespeitou um acordo com o PT Nacional.

“Só vencemos por causa de Lula/PT (garantido por eu ser o vice) e pela força/popularidade de Flávio Dino. Ocorre que será DESCUMPRIDO por razões familiares, por causa do programa segundo emprego para o sobrinho e pela traição ao povo do Maranhão. Da minha parte, só posso pedir desculpas por ter ajudado a eleger a neo oligarquia e dizer ao povo: SERÃO DERROTADOS EM OUTUBRO!”, escreveu Camarão, em postagem no Instagram.

A ruptura ganhou força após o vazamento de gravações de conversas nas quais aliados de Dino cobravam do grupo de Brandão o cumprimento de acordos firmados durante a eleição de 2024.

Como mostrou O GLOBO, o diretório estadual do PT afirma que uma decisão sobre o nome da sigla na corrida pelo Palácio dos Leões será de Lula, mas admite que o cenário preferencial seria uma candidatura de terceira via, que unisse as alas rompidas.

A coluna de Lauro Jardim reportou, ainda, que PT e o PSD discutem uma aliança no Maranhão que pode fortalece a candidatura do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), ao governo do estado.

As conversas envolvem dirigentes nacionais do partido e podem ter uma definição até o final do mês, segundo interlocutores das legendas. A nominata que vem sendo desenhada envolve Eliziane Gama (PSD) e Felipe Camarão numa possível chapa ao Senado.

Brasil registra oito casos de hantavírus em 2026 em meio a alerta global

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